domingo, 26 de agosto de 2007

Principais Membros.







O Inicio da Comitiva Cascudo


Era assim:
Meio rude, meio doce, de uma alegria sem fim, que quando contrariada, num instante era ofuscada, e o tranqüilo menino logo se transformava em uma fera acuada.
Ainda menino já fazia seu caminho diferente de todos de seu quintal,
em vez do colo da mãe ele logo se agarrou `a garupa de seu pai.
E já que não tinha brinquedo, nem com que usar seu tempo,
os porcos bem que serviam, pra poder executar uma técnica que mais tarde muito iria praticar:
os porcos tinham cabeças muitos boas para laçar.
Ganhando um pouco de corpo já podia então montar, nos bezerros, nos cavalos que havia no lugar; mas como sair galopando no cavalo que não tinha? Pois tudo que ali havia era do pai que tudo retinha.
Preciso ir trabalhar lá pros Pirs numa empreitada, trabalho duro de grande esforço, pra capinar num só dia mais de meio salaminho.
Comprou o primeiro cavalo e com ele a liberdade, agora seu ganha pão estava além do horizonte, muito além de sua casa, uma enxada nunca mais.
No lombo desse cavalo exercitou sua memória, aprendeu a fazer conta, a sonhar fazer história. Montou muito burro xucro, criou a arte na espora, buscou boi na capoeira que entregou sem demora, toda vez que uma sumia era chamado na hora, com seus fiéis companheiros, Jaú, Balão, ele ia, e quando saia do mato o boi vinha cabisbaixo: Jaú grudado na venta e Balão feito espora.
Era valente o danado, não temia quase nada, a não ser a Seu Senhor, Jesus Cristo, seu amigo e Seu pai, o Salvador. Homem na face da terra, que pudesse se impor, pode ser que existisse, mas não era conhecedor; não precisava de armas, de qualquer tipo ou teor, tinha apenas sua força, seu reio, sua chibata, que, de cima do cavalo, cortava feito navalha, quem porventura tentasse em sue caminho interpor qualquer mesura ou graça.
Embora moço e bonito quase não se enamorava, mesmo sentindo por perto tantos suspiros de graça, tinha apego muito grande às cartas, catira e viola, tinha também Santo Reis, que muito tempo tomava.
Até que um dia chegando defronte a uma mangueira, deparou com um gado bom, guiado por uma menina que num olhar despertou a força do seu coração. Pensou em sacar do laço porém do pescoço puxou um rubro lenço e num aceno, uma promessa selou: venho lhe buscar morena.
Se não houve nesse mundo burro bravo que pudesse meter medo nessa cabra, como poderia um pai, mesmo macho lá de Minas, afastar de sua filha uma paixão tão menina, nascida no peito de aço, de homem em desatino, montado num redomão.
Mas para alimentar oito filhos muito boi foi transportado, muito sangue derramado, por uma tropa tão grande que nem da pra se contar, na espora de tal peão. Enquanto se embrenhava pelas matas e rincões, vendendo e comprando gado, arribando tantos outros que pelo caminho ficava, lá em casa a sua amada ensinava para seus filhos que aquilo que era pai.
Apesar da valentia, consigo trazia a devoção à Senhora, Maria, mãe de Jesus, Nossa Senhora Aparecida, que com seu manto sagrado nunca o abandonou, livrando-o de todo mal, do inimigo e da dor, protegendo sua família de desatino e temor, e quando chegou a hora desse matuto partir, lá estava a Senhora, com seu manto protetor, impedindo que a dor, a desventura e pavor, trouxesse para sua vida peso que nunca aceitou, atendeu a seu pedido fazendo com que partisse tão sereno, que de morte nem se lembrou.
Este é o CANDIDO CASCUDO, que nasceu e morreu matuto, que por onde passou nunca mais foi esquecido, homem bom, forte, valente, sincero, compromissado com a verdade e a retidão. Nunca deveu a ninguém, mas também nunca aceitou que lhe passassem pra traz.
Esta COMITIVA CASCUDO, fundada por sua família, quer manter viva a lembrança de um homem que nem sabia da sua sabedoria, para que as gerações futuras em seu meio cultive o amor à terra, à vida e animais, à amizade sincera, às coisa mais simples e singelas, o respeito aos mais humildes e mais do que tudo isto a si mesmo respeitar.
COMITIVA CASCUDO é um canto, um lamento, uma oração para aquele que com seus exemplos uma árvore cultivou em cujas sombras toda a família vem com sua tropa, cônjuges, filhos, amigos, descansar dos entreveros da vida, reabastecer em sua energia que ainda paira no ar, para que toda vez que invocarem seu nome possam ter a certeza que continuarão no caminho da retidão, da harmonia e da paz
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